sábado, 21 de junho de 2008

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Castigo Divino


Outro trabalho em que a palavra desempenha papel fundamental é a série Castigo Divino. Neste caso, o texto deslocado não é o de projetos de performance, mas uma série de prescrições retiradas de uma cartilha produzida por uma igreja evangélica pentecostal. Essas prescrições são aplicadas em cinco pratos de louça. Um dos textos mais divertidos é este: “Castigo Divino 3 – O ânus é sujo, fétido e possui em suas paredes milhões de bactérias. É o esgoto, propriamente dito. No esgoto só existem ratos, baratas e mendigos. A pessoa que sodomiza, ou é sodomizada é igual a um rato pestilento. (...) Mas o pior é quando o ato é homossexual, pois o passaporte dessa infeliz criatura já está carimbado nos confins do inferno”. Aquilo que era um sinônimo de ortodoxia e agressão adquire, deslocado do seu contexto original, um tom de ridículo. As palavras implodem a si próprias. É como um filme pornô que só consegue fazer rir, não excitar. Nesse sentido, Fabinho desempenha um papel de terrorista. Outra vez, o apelo à imaginação é fundamental, pois a carne do corpo está escondida por trás das palavras satirizadas e este corpo só fica nu na nossa imaginação. A metáfora dos pratos nos lembra que muitos banquetes nada mais são do que sacrifícios e que a origem das palavras “missa” e “culto” está ligada a esta idéia. Para Bataille, em O erotismo, o sacrifício é uma “transgressão desejada”, pois “a carne é em nós esse excesso que se opõe à lei da decência”. A série Castigo Divino nos mostra que, muitas vezes, um pastor radical enxerga no espelho um libertino: um celebra o excesso, o outro o sacrifica, entretanto ambos estão preocupados com esse império sobre o corpo do Outro.

(AGUIAR, Cristhiano. 2008)

sábado, 5 de abril de 2008

Meu Atelier é a Minha Cabeça
















As poéticas aqui apresentadas são obras textuais contendo projetos nunca realizados.
A primeira é uma Instalação intitulada ”Aviso” e a segunda é uma performance-instalação intitulada “Look my face that like you”.
Nesse trabalho haverá um formulário para que o público possa intervir com as seguintes perguntas:

Vale a pena executar a obra ou é suficiente apenas lê-la?
No caso de valer a pena, há chances de ser executada e como se faria?
Se for mantida como texto, como e a quem será distribuído?

São obras que funcionam na imaginação, sem necessariamente carecer de uma presença material. A priori, sua realização acontece quando o público as aceitam e, conseqüentemente, imaginam e concretizam a obra em seu mundo de idéias e “causos”, gerando possibilidades que satisfaçam seus critérios de mistério, estranheza, poesia e humor, para, a partir daí, transformar o projeto em algo concreto no seu entender platônico.
Ao mesmo tempo as obras têm a particularidade de serem realizáveis.

Assim, a obra está acontecendo. Divirta-se.

sábado, 29 de março de 2008

Om nibus


































Om nibus é uma intervenção urbana que se apropria da publicidade e de um meio de transporte para a execução da ação. Com interferência estética-urbana no intinerário do carro, veicula de foma explicita e com humor as condições de ir e vir de um percurso numa avenida bastante movimentada da cidade do Recife.

Ring
















O trabalho apresentado é uma experiência lúdica que consiste em colocar objetos integrados na arquitetura da cidade em disposição numa avenida, criando situação de interdição e familiarização. É um trabalho efêmero e experimental que gera esculturalmente um espaço falso de restauração, na qual a cidade não se estranha com a situação intervencional, tão comum em vias públicas.

quarta-feira, 19 de março de 2008